sexta-feira, 21 de maio de 2010

DISSERTAÇÃO – TIPOS DE ARGUMENTOS

O posicionamento diante de um tema polêmico resulta sempre em uma tese a ser defendida. É, pois, a função de todo texto argumentativo: persuadir seu interlocutor de que a tese defendida é a mais pertinente. A defesa é feita por meio de argumentos e da relação lógica por eles estabelecida.

Tipos de Argumentos

1. Citações de Autoridade: São argumentos respaldados por pessoas ou instituições reconhecidos pela sociedade. Os argumentos de autoridade, em outras palavras, consistem em citações que corroborem com a tese adotada no texto.

Exemplo:

"Na definição do escritor francês Victor Hugo (1802-1885), ele é "pão maravilhoso que um deus divide e multiplica". Para James Joyce (1882-1941), um dos maiores gênios da literatura moderna, "tudo é certo neste mundo hediondo, exceto ele". Sob a ótica da "dama do suspense" Agatha Christie (1890-1976), "diferente de qualquer outra coisa no mundo (...), ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho". Na frase do para-choque de caminhão, ele é simplesmente imortal. Não importa o momento histórico, tampouco o prestígio literário de quem o decanta, o amor de mãe é sempre celebrado como o mais sublime dos sentimentos (...)"

Veja, 19 de maio, 2010.

2. Dados Concretos: São argumentos que buscam representar a realidade fidedignamente. Eles buscam ilustrar a realidade de modo irrefutável. Dados estatísticos, pesquisas científicas e ocorrências históricas documentadas são exemplos de argumentos concretos. Muitas vezes os Argumentos de Autoridade e Argumentos Concretos se misturam. Quando isso ocorre, a argumentação torna-se mais densa ainda.

Exemplo:

"A aplicação de castigo físico a mulheres de 'mau comportamento' continua a ser vista como um dever e um direito da família. Uma pesquisa feita em 2008 com 4700 afegãs mostrou que 87% já tinha sido vítimas de espancamentos ou abusos sexuais e psicológicos – em 82% dos casos, infligidos por aparentes."

Veja, 19 de maio, 2010.

3. Exemplificação: São argumentos criados a partir de exemplos. Esses exemplos podem se originar de Citações de Autoridade ou de Dados concretos. O importante é que tenham validade perante o assunto, não reproduzindo senso comum e nem invenção.

Exemplo:

"... uma dasmais formidáveis conseqüências morais do crescimento econômico, e talvez, um de seus motores, é justamente a retirada da cargade culpa dos ombros de quem se empenha em acumular riqueza. O exemplo mais clássico disso vem da China, que, depois de sobreviver por milênios no nível mínimo de subsistência, foi tocada pela palavra de ordem 'enriquecer é glorioso, criada pelo líder Deng Xiaoping, morto em, 1997."

Veja, 19 de maio, 2010

4. Refutação: São argumentos que se originam dos que sustentam o ponto de vista oposto. A refutação pode acontecer por meio de Citações de Autoridade, de Dados Concretos ou de Exemplificações. O que importa é que ele refute diretamente a sustentação do ponto de vista alheio, corroborando, assim, com a tese pela qual o texto argumentativo se desenvolve.

Exemplo:

"'Não há razão alguma para uma pessoa possuir um computador em sua casa.' Isso foi dito em 1977, por K. Olsen, fundador da Digital. De fato, os computadores eram apenas máquinas de fazer contas, pesadas e caras. Mas, com os avanços, passaram também a guardar palavras. Aparece então a era dos bancos de dados..."

Veja, 19 de maio, 2010

5. Consenso: São argumentos estabelecidos pelo senso comum de uma determinada cultura. São argumentos que, quando bem selecionados, podem ser irrefutáveis, pois há algumas afirmações que se tornam axiomas em determinadas sociedades. Ninguém, por exemplo, questiona a importância da educação para o desenvolvimento social.

Exemplo:

“Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste setor.”

6. Emoção: São argumentos pautados em dados concretos ou em exemplificações que mexem com o emocional. Assim como o consenso, dependem da cultura para terem validade. Argumentos de cunho emocional não são bem vistos em textos mais sérios, mas são excelentes recursos persuasivos.

Exemplo:

“Tenho certeza de que um mendigo morto na beira da praia causaria menos comoção do que uma baleia. Nenhum Greenpeace defensor de seres humanos se moveria. Nenhuma manchete seria estampada. Uma ambulância talvez levasse horas para chegar, o corpo coberto por um jornal, quem sabe uma vela acesa.”

Veja, 11 de abril de 2005

7. Raciocínio Lógico: Não constitui uma espécie propriamente dita de argumentação. Diz respeito à forma como os argumentos são relacionados no texto. Escolher argumentos válidos é um posso importante para elaborar a argumentação, porém, não é suficiente. É necessário estabelecer relações lógicas entre eles para que não haja fuga do tema ou tautologias. Alguns exemplos de raciocínio lógico:

· Prova concreta e Citação de Autoridades: Usa-se muitas vezes um dado estatístico ou uma citação para comprovar verdades gerais; mostrar suas causas ou consequências. Ainda se podem utilizar dados históricos para ilustrar um fato geral ou fazer analogias.

· Exemplificação: Parte-se de uma exemplificação para se extrair uma conclusão geral, a qual sustente uma asserção.

8. Competência lingüística: Também não está relacionado a uma espécie propriamente dita de argumento. Refere-se ao registro lingüístico utilizado para argumentação. Cada situação argumentativa requer um registro lingüístico diferente, uma seleção vocabular adequada e um estilo apropriado. A competência lingüística é o modo de valorizar sua argumentação pelo uso do português.

Exemplo:

“Não sou biólogo e tenho que puxar pela memória dos tempos de colegial para recordar a diferença entre uma mitocôndria e uma espermatogônia. Ainda lembro bastante para qualificar a canetada de FHC de ‘defecatio máxima’ (este espaço é nobre demais para que nele se escrevam palavras de baixo calão, como em latim tudo é elevado...).”

Folha de São Paulo, 01 de outubro de 1995

Um comentário:

  1. Gostei muito,e me ajudou bastante,vai uma dica pra você,coloque a montagem desse texto,o que devemos usar no 1°parágrafo no 2°e etc...

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